Viver de renda é um sonho possível? Confira orientações do Onde Investir 2025
Em um cenário econômico marcado por incertezas, taxas de juros oscilantes e inflação persistente, muitos investidores perguntam-se se realmente é possível viver de renda. Segundo especialistas que participaram do evento Onde Investir 2025, organizado pelo InfoMoney, a resposta tende para o sim — porém não sem compromisso, planejamento e diversificação.
As bases desse sonho
De acordo com o relatório divulgado pelo evento, a construção de uma carteira capaz de gerar renda passiva contínua exige sobretudo três pilares: alocação adequada, disciplina na reinversão dos ganhos e paciente visão de longo prazo. Assim, embora o sonho de viver apenas da renda dos investimentos seja atraente, ele exige que o investidor esteja preparado para navegar por ciclos econômicos variados.
Em particular, o evento destaca que ativos como ações pagadoras de dividendos e fundos imobiliários (FIIs) aparecem como possibilidades mais promissoras para quem busca esse objetivo de geração de renda. Ainda que, por outro lado, a renda fixa não deva ser ignorada — ela funciona como contrapeso em cenários de maior aversão ao risco.
Por que esse caminho atrai tanto
Primeiramente, porque a ideia de ter independência financeira e depender menos do trabalho ativo agrada a muitos. Além disso, com a persistente busca por alternativas para a aposentadoria ou para a complementação de renda, mais pessoas estão olhando para a geração de renda como um estilo de vida, não mais apenas uma meta distante.
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💼 Quero Ser AfiliadoEm segundo lugar, o momento atual oferece algumas janelas de oportunidade: com taxas de juros que se mantêm elevadas, por vezes rendendo acima da inflação, e com mercados de capitais que oferecem empresas maduras e distribuidoras de proventos, há uma combinação que favorece quem atua com estratégia. Contudo — e aqui está o porém — esta combinação também envolve riscos que devem ser entendidos para que o sonho não vire frustração.
O que foi recomendado no Onde Investir 2025
Durante o evento, os analistas chamaram atenção para diversos aspectos, entre os quais se destacam:
- A importância de definir claramente o quanto da carteira se destinará à geração de renda passiva — e que esse valor deve estar alinhado ao perfil e aos objetivos do investidor.
- A necessidade de equilibrar classes de ativos: renda variável (como ações e FIIs) para buscar crescimento e dividendos; e renda fixa ou instrumentos alternativos para dar estabilidade e amortecer quedas.
- Que o reinvestimento constante de dividendos e proventos acelera o processo de acumulação e gera o efeito “bola de neve”.
- Que o investidor não deve esperar que tudo “sala” de forma rápida — ou seja, paciência é fundamental.
- Que diversificar — não apenas entre ativos, mas entre geografias, setores e estratégias — amplia as chances de sucesso e reduz a dependência de um único fator.
Essas orientações reforçam que viver de renda é mais do que escolher um ativo “bom”: envolve processo, disciplina e adaptação constante.
Os desafios que não podem ser ignorados
Mesmo com tantos sinais positivos, os especialistas foram claros: os obstáculos existem — e são reais. Por exemplo:
- A inflação persistente, que corrói o poder de compra dos rendimentos gerados. Sem ajustes e sem ativos que protejam contra esse fenômeno, a renda passiva pode perder valor ao longo do tempo.
- A volatilidade nos mercados de ações e FIIs. Embora essas classes ofereçam potencial de dividendos e rendimento, também carregam risco de perdas de capital. Portanto, alguém que espera somente “renda e nada mais” poderá se decepcionar se não estiver preparado para as oscilações.
- A tentação de retirar os ganhos prematuramente ou abandonar a estratégia na primeira crise. Isso pode comprometer o efeito acumulativo e a geração contínua de renda.
- O erro de considerar “viver de renda” como algo que se alcança apenas aplicando em um ou dois ativos “milagrosos”. Os especialistas enfatizam que a abordagem correta é sistemática, gradual e com foco em sustentabilidade.
Como montar uma carteira para “viver de renda”
Passando para a prática, os profissionais apontam um roteiro simplificado, que embora não seja garantia de sucesso, fornece um mapa para quem deseja buscar esse objetivo:
- Estabeleça o montante alvo de renda
Logo no início, defina: quanto de renda mensal ou anual você quer que seus investimentos gerem? Essa meta auxilia na definição do “tamanho da carteira”. Por exemplo: se você deseja R$ 5.000 por mês, isso equivale a R$ 60.000 por ano em renda. - Calcule o montante necessário
Para gerar esse valor, você deve projetar qual será o rendimento “realista” da carteira — por exemplo, 4 % ao ano sobre o capital investido. Seguindo esse exemplo de R$ 60.000 por ano, seriam necessários R$ 1.500.000 investidos a 4 % a.a. Obviamente, rendimentos maiores envolvem riscos maiores. - Selecione os ativos com foco em rendimento e solidez
Conforme o evento apontou, focar em empresas que pagam dividendos consistentes, FIIs com bom histórico de distribuição, e renda fixa ou produtos estruturados para balancear a carteira, são boas escolhas. Como prática, avalie histórico de distribuição, cobertura de dividendos, endividamento da empresa ou fundo e taxa de vacância (no caso de FIIs). - Reinvista os rendimentos
Até que a carteira tenha pernas próprias para sustentar a renda desejada, o reinvestimento dos proventos acelera o processo. Essa fase exige disciplina: não retirar tudo no início, mas deixar o “dinheiro trabalhar”. - Monitore, ajuste e diversifique
O cenário econômico muda — e sua carteira também deve mudar. Rates de juros, inflação, câmbio, regulamentação, avanços tecnológicos, entre outros, alteram o panorama. Portanto, revisões periódicas — anualmente ou semestralmente — são recomendadas. Além disso, diversificar entre setores, países, estilos de investimento (crescimento x valor) e classes de ativo reduz risco específico.
Exemplos e casos práticos
Embora o evento não divulgue carteiras específicas, há investidores que servem como inspiração. Por exemplo, investidores que se dedicaram a acumular ações pagadoras de dividendos ao longo de décadas, ou que construíram portfólios de FIIs e renda fixa visando a geração de juros ou aluguéis mensais. Esses casos reforçam que o “viver de renda” não é uma construção de semanas, mas sim de anos.
Ademais, conforme o relatório da Onde Investir 2025 sugere, as janelas de oportunidade podem variar conforme o ciclo econômico. Isso significa que quem começa mais cedo tem vantagem — tanto no tempo quanto no efeito de composição dos rendimentos.
Qual o prazo realista?
Isso depende de vários fatores: montante inicial, taxa de rendimento esperada, nível de reinvestimento e tolerância ao risco. Contudo, como regra geral, os especialistas afirmam que alcançar uma renda passiva significativa leva anos — muitas vezes uma década ou mais — para que o capital investido produza o efeito desejado. Portanto, quem entra pensando em “viver de renda da noite para o dia” está tomando uma visão equivocada.
Mas e se o objetivo for “meio-tempo” ou complemento de renda?
Aqui, o panorama fica mais favorável. Se o objetivo for, por exemplo, gerar R$ 2.000 por mês em complemento de renda (R$ 24.000/ano), os valores necessários são menores e o prazo pode se reduzir. Nesses casos, a estratégia pode funcionar como uma “renda extra” mais rápida, e com menor exposição ao risco. Ainda assim, os mesmos princípios de alocação, reinvestimento e disciplina se aplicam.
Mensagem final: realismo com otimismo
Em suma, o evento Onde Investir 2025 trouxe uma mensagem equilibrada: sim, é possível viver de renda, porém com clareza de que esse objetivo exige preparo, tempo e adaptação. Ao mesmo tempo, a oportunidade existe — e quem se organiza e age com consistência coloca sua carteira em direção a esse horizonte.
Para o investidor que entende que renda passiva não vem “de graça”, mas sim como consequência de escolhas sustentadas, o caminho está aberto. Quem abandona a visão de “enriquecer rápido” e adota a postura de “construir para durar” terá maiores chances de transformar o sonho em realidade.
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